De inicio, é importante esclarecer que a historia real de uma determinada região ou país tem que ter palco natural. Este palco natural nada mais é do que a geologia, a geomorfologia, a geografia, os chamados acidentes geográficos com seus respectivos nomes em que os fatos aconteceram. História sem citação dos lugares aonde os fatos ocorreram é ao meu juízo uma história vaga e falha. Daí surgiu o curso de pós graduação em Geo Historia do RN agora adotado pelo curso de História da UERN no Campus Avançado do ASSÚ-RN. Há, no entanto a se observar que nomes de rios, riachos e serras que se repetem em determinados espaços geográficos. É fácil notar esta afirmação analisando, por exemplo, os mapas topográficos elaborados pela SUDENE na década de 60. Por exemplo, os riachos com o nome de tapuios se repetem em várias folhas elaboradas por este órgão no RN. Nomes de Santos como, por exemplo, Santo Antonio, São José, também se repetem constantemente em mapas de municípios do RN. Esta observação supracitada faz com que muitos historiadores supostamente cometem erros em seus trabalhos, muitos dos quais, rico em informações que quando bem analisadas nota-se que não se trata da realidade histórica da região.
Do ponto de vista da historiografia regional sobre as Guerras dos Bárbaros merece destaque os trabalhos de Pedro Puntoni, Maria Idalina da Cruz Pires e Affonso Taunay, este ultimo descreve grande batalha nos sertão de Acauã. Ora, existem rio e lugar chamado Acauã na região do Seridó e Açu. Na qual conheço pessoalmente estes dois lugares se encontram separados entre si por mais de 80 quilômetros. O riacho Acauã afluente do rio Seridó na região próxima a Caicó, caminhei em seu leito seco, muitas vezes com substrato rochosos em Geologia de Campo III, no inicio da década de 80. Com pouquíssimas habitações em suas margens, mesmo tendo açude barrando este riacho. Já a região da Acauã de Açu constitui de vasta região possuindo uma grande lagoa também chamada de Acauã, tendo um riacho de mesmo nome próximo a ponte do Assú-RN bastante povoada que hoje constitui a comunidade rural de Acauã pertencente ao município de Itajá, antiga localidade de saco. Acauã no Vale do Açu tinha nas proximidades ao sul a lagoa do Quixeré, hoje coberta pela mega barragem do Açu, ao norte o rio Pataxó e a lagoa piscosa Igtu ou lagoa da Ponta Grande. Ao poente existe o grande rio Piranhas/Açu que por sua vez do outro lado existe a lagoa do Puaçá. Quanto à geomorfologia a região de Acauã do Açu possui relevo relativamente plano enquanto que Acauã do Seridó possui relevo ondulado. Do ponto de vista geológico Acauã do Açu é constituída de aluvião sobre posto ao embasamento cristalino. A Acauã do Seridó predomina rochas gnáissicas do embasamento cristalino onde, não raro, ocorre o escoamento rápido das águas devido o solo ser de pequena espessura ou até mesmo ausente nesta área. Na época aguda do conflito entre os anos de 1667 e 1668 não existia nenhum açude barrando as águas que escorriam nestes dois riachos. Os índios como se sabe preferem locais adjacentes a rios e lagoas com peixe. Do exposto acima creio que a concentração dos Tapuias e a muito maior resistência a dominação dos invasores portugueses ocorreu no Vale do Açu e não na região do Seridó. Ainda neste tema sobre civilização indígena e conflitos no RN, descobri na folha topográfica de Lages, na parte oeste da folha que existe um riacho com denominação de Caracará que pode ter sido o local onde nasceu ou se estabeleceu por algum tempo o índio Caracará irmão do Janduí na época da invasão holandesa. Com isto tento provar aos excelentes historiadores da região do Seridó que o levante indígena denominado Guerras dos Bárbaros ocorreu por demais sangrentos e persistentes no sertão de Acauã na região do Açu e não na região como eles advogam.
Por fim, é oportuno esclarecer que com o advento da popularização da Internet, iniciada na metade da década de 90, se abriu, sem dúvida, um grande canal de comunicação entre o meio acadêmico de história e geografia, onde foi gerado, aos pesquisadores em geral, informações e relatos de fatos em conteúdo de livros históricos importantes e interessantes que antes eram restritos a um número relativamente pequeno de privilegiados historiadores, agora pode ser lidos, analisados e discutidos por um número muito maior de interessados pesquisadores. Podemos agora ir até fonte primárias da informação e ler livros originais editados até mesmo em outros países do mundo, muitos deles já traduzidos para o português e expostos na Internet.

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