Importação d’água do rio São Francisco e o irrisório benefício à população pobre do Rio Grande do Norte, além de algumas considerações sobre o aspecto geológico, hidrogeológico, ambiental, energético e sócio-econômico desta rica região brasileira. 1999.
Eugênio Fonseca Pimentel: Geólogo e Pesquisador Voluntário do Semi-árido do Brasil.
RESUMO
O presente trabalho acadêmico e voluntário reúne e reporta de uma forma simples, clara e objetiva uma série de informações de interesse do setor de recurso hídrico do Estado do Rio Grande do Norte, enfocando também os seus aspectos sócio-econômicos, geológicos e ambientais. Foi elaborado com base em pesquisa, anotações e conhecimento adquirido ao longo da vida acadêmica no curso de Geologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, bem como, através de compilação de dados, obtidos em diversos livros de autores altamente credenciados, bem como através de boletins, revistas, apostilhas, Internet e mídia escrita e televisionada.
Logo de inicio é importante esclarecer que este trabalho não obedece às normas de apresentação de Relatórios Técnicos-Cientificos (NBR 107019) e apresentação de Resumo (NBR 6028) da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
INTRODUÇÃO
O Rio Grande do Norte que possui grande parte do seu território inserido geograficamente no chamado Polígono das Secas, cerca de 73%, é um estado privilegiado no que concerne à disponibilidade de recurso hídrico e condições geomorfológica e hidrogeológica favorável ao incremento e aproveitamento deste importante e insubstituível recurso natural, que como alguns entendidos neste assunto, já advogam, será a principal moeda do século XXI ou ao meu conceito “O ouro transparente do terceiro milênio”.
A Bacia Potiguar que recobre quase a metade dos 53.306,80 Km2 de superfície do nosso estado, cerca de 40%, encerra em seu domínio, além de importantes jazidas de Petróleo, Gás Natural, Água Mineral, Calcário, Argila, Sal Marinho, Caulim, Diatomita e Gipsita, um expressivo volume d’água subterrânea, que pode ser explotada através de poços tubulares, profundos ou não, o que irá depender do tipo de rocha aflorante e das condições hidrogeológica reinante na região.(veja o extraordinário potencial hídrico do aqüífero Açu, estimado por geólogos e técnicos da Petrobrás, página 5).
O espaço geográfico ocupado pelas rochas sedimentares que compõe a Bacia Potiguar, abrange áreas situadas tanto no continente quanto na porção marítima (plataforma continental). Na porção continental, ocupa uma área de 22.000 Km2 de superfície, situados em sua maior parte, na porção setentrional do estado do Rio Grande do Norte e em pequena porção situado no nordeste do vizinho estado do Ceará.
No continente os limites dos sedimentos da Bacia Potiguar com o embasamento cristalino, ocorrem no RN, nas proximidades das cidades de Extremóz, Ceará-Mirim, Taipu, João Câmara, Pedro Avelino, Afonso Bezerra, Assu, Upanema e Apodi. No Estado do Ceará os limites ou borda da bacia, estão situadas nas proximidades das cidades de Limoeiro do Norte, Russas e Aracati.
A seqüência ou pacote sedimentar que preenche a Bacia Potiguar em certas áreas, como por exemplo, na porção norte do graben do Umbuzeiro, próximo aos limites dos municípios de Carnaubais e Porto do Mangue, atinge uma espessura superior a 3.000 metros.
No contexto hidrogeológico, o arenito da Formação Açu, constitui um excelente aqüífero tanto no que diz respeito à quantidade, como a qualidade da água contida nos interstícios de seus sedimentos. Este aqüífero ou formação rochosa permeável e porosa capaz de armazenar e transmitir apreciável quantidade de água aflora no Rio Grande do Norte em estreita faixa de sedimento com no máximo 18 quilômetros de largura na porção central do estado, se estende 380 Km no sentido E-W. Ao norte é encoberto pelo calcário da Formação Jandaira, onde com este tipo de rocha, apresenta um contato gradacional.
A Formação Açu que localmente repousa sobre rochas do embasamento cristalino é composta por sedimentos de natureza predominantemente arenosa com clastos grosseiros a conglomeráticos na base, gradando a médio e finos na parte superior e algumas vezes apresentando intercalações de folhelhos e argilitos siltíticos, cuja espessura do pacote sedimentar em subsuperfície ultrapassa 500 metros.
Esta formação geológica é de fundamental importância econômica no semi-árido brasileiro, pois além de encerrar um dos maiores aqüífero do nordeste, contém em seu domínio o mais significativo reservatório de petróleo e gás natural em terra do Brasil.
RECURSO HÍDRICO SUBTERRÂNEO NO RN
Com o intuito de esclarecer de maneira simples, clara e objetiva a sociedade brasileira, interessada no tema Recurso Hídricos do Semi-árido do Brasil, do expressivo volume de água existente na formação geológica denominada de Formação ou Arenito Açu e sua importância no contexto hidrogeológico regional, pretendo informar, que utilizando dados de 341 testes de formação, perfis elétricos, acústicos, radiativos e litológicos em 247 poços os geólogos e técnicos da PETROBRÁS/DEPEX/DEBAR, Otacílio Raulino de Souza, Francisco Fontes Lima Neto e João de Deus de Souto Filho, na ATA DO XI SIMPOSIO DE GEOLOGIA DO NORDESTE, Natal (RN), maio de 1984, pagina 330, escreveram as seguintes considerações sobre a HIDRODINÂMICA DO AQUIFERO AÇU - BACIA POTIGUAR:
A Formação Açu, com cerca de 1,5 trilhões de metros cúbicos de água em reserva permanente, porosidade entre 20 e 28 porcento e permeabilidade atingindo a milhares de milidarcies, é o melhor aqüífero da área sedimentar, quer pelas vazões individuais de poços que chegam a atingir a 400 metros cúbicos horários, quer pela qualidade da água em geral dentro dos padrões oficiais de potabilidade.
As águas subterrâneas da Bacia Potiguar constituem notável recurso hídrico, suficiente para suportar atividades agropecuárias nas épocas de estiagem e complementar o abastecimento pluvial nos períodos chuvosos.
Os técnicos da Petrobrás, empresa brasileira do mais alto gabarito que como nenhuma outra no país, conhece melhor e em profundidade a dimensão do recurso hídrico subterrâneo da Bacia Potiguar, uma vez que já perfurou mais de 3.000 poços na região, enfatizam ainda na pagina 336, a importante e estratégica reserva hídrica situada na região semi-árida nordestina, concluindo que:
Uma reserva permanente de cerca de 1,5 trilhões de metros cúbicos de água estão disponíveis na Formação Açu, prontas para serem explotadas através da perfuração de poços artesianos, constituindo excelente meio auxiliar para o combate a seca no estado do Rio Grande do Norte.
Por não estar ao alcance da nossa visão, os recursos hídricos subterrâneos do sertão semi-árido do Brasil.não tem sido valorizado
Para se ter uma idéia do gigantesco potencial hídrico subterrâneo situado no semi-árido do nordeste setentrional do Brasil, 1,5 trilhões de metros cúbicos corresponde a 375 (trezentos e setenta e cinco) vezes o total da capacidade atual de água armazenadas em todas as barragens existentes no RN, incluindo a barragem de Santa Cruz no rio Apodi e a barragem de Umari no rio do Carmo que quando concluídas em 2002, dotarão o nosso estado de uma capacidade de armazenamento de água superficial de cerca de 4,3 bilhões de metros cúbicos.
Enfatizando o volume de água subterrâneo contido no aqüífero Açu da Bacia Potiguar em litros, o mesmo corresponde a 1,5 quatrilhões, a qual pode ser explorado cerca de 70% do total, através de poços tubulares profundos com vazões médias de 400 mil litros de água por hora. É oportuno mencionar que a mineração São Francisco Ltda “Água Mineral Cristalina do Oeste” no município de Apodí-RN e a Água Mineral Santa Luzia, situada na fazenda Carão no município de Upanema-RN já exploram esse notável recurso hídrico e contribuem para que nosso estado seja auto-suficiente e exportador desse importante bem mineral. O municipio do Assú - RN na qual sonhava com o acontecimento, agora é produtor de água mineral de boa qualidade. A Água mineral AMANA estar começando a produzir com boa aceitação popular, agora em 20011.
A Formação Jandaira que tem a maior área de exposição entre as rochas da Bacia Potiguar, compõe-se de calcários creme a cinza, margas e calcarenitos cinza claro a amarelados, siltitos e folhelhos, argilitos e calcários dolomiticos cremes. Níveis restritos e descontínuos de evaporitos (gipsita e celestita subordinada) ocorrem na base. Os calcários cálcicos e magnesianos (dolomiticos) são usados na industria de cimento, cal, corretivo de solo e ração animal; na construção civil como calçamento e piso, revestimento e pedras. Já a gipsita e argila são usadas na fabricação de cimento Portland e gesso agrícola. Diante da gigantesca jazida de calcário de excelente qualidade para industria cimenteira, o RN poderia, através da instalação de outras unidades industriais de cimento Portland, que é formado essencialmente de calcário, argila e gipsita, abundante na região, abastecer todo nordeste brasileiro.
No que diz respeito ao aspecto hidrogeológico, o calcário da Formação Jandaira quando fraturado por sistema de falhas geológicas pode armazenar em pouca profundidade (tramas disruptivos), notável volume dágua subterrânea. Como exemplo no Rio Grande do Norte, posso citar entre outras, as regiões de Carnaubais, Pureza e Afonso Bezerra. (veja em anexo arcabouço tectônico da Bacia Potiguar parte emersa, elaborado pelos geólogos da Petrobrás, Antonio Raimundo Corsino e Valeria Fiori Tiriba e meus professores Peter Christian Hackspacher e Narendra Kumar Srivastava, contido no trabalho intitulado de A Falha de Afonso Bezerra como evidência de significativo tectonismo frágil NW-SE, na Bacia Potiguar Emersa-RN, boletim nº 10 do Departamento de Geologia da UFRN (1985). Neste tipo de rocha de baixa permeabilidade quando não há localmente a presença de fraturas ou fendas, a água pode ser obtida de forma abundante, mediante a perfuração de poços tubulares profundos até atingir o arenito da Formação Açu subjacente. No Rio Grande do Norte podemos citar como exemplo um poço da MAISA - Mossoró Agro-industrial S. A, empresa potiguar exportadora de frutas tropicais, situada na região Oeste, com vazão explotada em torno de 200 mil litros/hora além de outros como o do Hotel Termas de Mossoró além dos que já foram citados anteriormente, perfurados pela Petrobrás com teste de vazões de até 400 mil litros horários.
A Formação ou Grupo Barreiras de idade cenozóica <65ma> sessenta e cinco milhões de anos, constitui outro excelente aqüífero existente no RN. Esta formação geológica compreende uma seqüência de sedimentos clásticos continentais, afossilíferos de cores vivas e variadas, exposta no litoral em bonitas falésias. Tratam-se de arenitos, siltitos, argilitos e conglomerados que repousam discordantemente ora sobre rochas antigas pré-cambrianas do embasamento cristalino, porção sudeste, próximo ao litoral, ora sobre sedimentos carbonáticos (calcário Jandaira) da Bacia Potiguar, porção norte e nordeste do RN.
O Grupo Barreiras ocorre na porção litorânea, tanto ao norte como ao leste do RN, algumas vezes avançando rumo ao interior, sendo no litoral, muitas vezes cobertas por material recente de origem eólica, que formam as bonitas Dunas Potiguares que chegam a atingir mais de 30 metros de altura. No interior, ocorre também de forma isolada dentro do domínio de rochas do embasamento cristalino, capeando complexos de rochas graníticas, formando extensos altos estruturais, que se destacam na paisagem do sertão, como serras altas e planas, cujo clima é na maioria das vezes ameno em relação ao clima quente e seco do sertão nordestino. No RN, por exemplo, posso citar a Serra do Martins, Serra de Sant’Ana, Serra Verde e Serra João do Vale.
No que diz respeito ao volume d’água, o aqüífero Barreiras contém em seu domínio água abundante e de boa qualidade, capaz de suprir de modo satifatorio à demanda da população aí estabelecida. A excelente qualidade desta água torna o estado do RN exportador de água mineral, sendo os municípios de Extremoz, Macaíba e Parnamirim, situados geopoliticamente na micro-região da Grande Natal, grandes produtores deste importante bem mineral. É oportuno mencionar que com o preço a domicilio custando R$ 1,50 o garrafão de 20 litros, a população rica e a maioria da população de classe média do RN, apesar de ter água tratada e de boa qualidade nas torneiras de suas residências, preferem beber água mineral da fonte ou até mesmo as marcas de água purificada artificialmente. As marcas de água mineral mais comuns que estão sendo captadas nesta formação rochosa e comercializadas no RN e adjacência são as seguintes: Água mineral Fonte Clara, Santos Reis, Blanca, Cristalina de Natal, Indaiá, Potiguar e Santa Maria. As purificadas são Purifort e Santa Cruz. Há potencial hídrico para que o Rio Grande do Norte abasteça de água mineral todo nordeste setentrional do Brasil.
As Formações geológicas mais recentes de origem eólica como as Dunas na porção litorânea e os aluviões de origem fluvial de boa permeabilidade, distribuídos espaçadamente ao longo dos numerosos rios, lagoas e riachos da região, apresentam água em quantidade razoável e de boa qualidade que pode ser explotada, através de poços tubulares rasos, como também através de poços amazonas, que são poços de grande diâmetro, em geral de 2 a 4 metros, comumente chamados na região de cacimbãos.
Transpor água para o nordeste setentrional para quem?
Geograficamente na porção Centro Oeste, mais precisamente na micro-Região do Vale do Açu, há concentração de forma superficial mais da metade do potencial hídrico de superfície de todo Estado do Rio Grande do Norte. A barragem do Açu, também conhecida como barragem Armando Ribeiro Gonçalves, com capacidade de armazenamento de 2.4 bilhões de m3 d’água perenizou de modo satisfatório o curso do Rio Piranhas ou Açu que corta todo o estado do RN na direção norte, numa extensão superior a 120 Km. Os açudes de Mendubim e Pataxó e as lagoas do Piató, Ponta Grande, Poré, Panon, do Queimado, Canto Grande entre outras menores incrementam a capacidade de armazenamento d’água desta região em mais de 200 milhões de m3.
Na região Agreste Potiguar, mais precisamente na porção nordeste do estado do RN, há abundancia de recurso hídrico e subutilização deste recurso. Nessa região existem diversas faixas de terras encharcadas que muitas vezes precisam ser drenadas. Essas faixas se estendem por vários vales úmidos tais como Pitimbu, Estrela, Ceará-mirim, Maxaranguape, Punau entre outros, que segundo os pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN, de renome nacional, João Medeiros Filho e Itamar de Souza em seu livro intitulado “A Seca no Nordeste Um Falso Problema” (editora vozes, 1988, pagina 60) descreveram as seguintes considerações sobre essa região:
A zona de terras encharcada é um velho problema para esta região, preocupação de sucessivas administrações e que, infelizmente, continua ainda hoje insolúvel com prejuízos sensíveis para o desenvolvimento das nossas fontes produtoras.
Do exposto, é interessante observar que nesta região de vales úmidos a abundância de água constitui um problema e não uma solução para o desenvolvimento sustentável dessa região.
Na região Oeste Potiguar a barragem de Santa Cruz em fase de construção pelo governo estadual em parceria com o governo federal no Rio Apodi ou Mossoró, com capacidade para 600 milhões de metros cúbicos, irá acabar, pelo menos em grande parte, com a escassez de recurso hídrico que se evidencia nessa região. Há possibilidade de se perenizar, mesmo que em um fino curso d’água, o leito do rio Mossoró em uma extensão superior a 80 Km. Irá evitar enchentes e também diminuir o nível de poluição da água contida no leito deste rio na proximidade de Mossoró, maior cidade do interior do RN. Esta obra quando concluída, irá liberar para a calha do rio Apodí/Mossoró cerca 2 mil litros de água por segundos.
Na região do Médio Oeste a barragem de Umari de médio porte em construção no rio do Carmo, com capacidade de 292.813.650 m3 no município de Upanema, irá também amenizar a escassez d’água que se estabelece naquela região, em períodos críticos de secas. Esta obra quando concluída irá liberar para o curso do rio do Carmo, que desemboca no rio Mossoró próximo a sua foz cerca de mil litros por segundo.
Neste contexto, a água subterrânea contida nos aqüíferos Açu e Barreiras, Dunas e Aluviões, aliado com o volume armazenado na superfície, lagoas, rios e barragens, por si só, já é suficiente para abastecer toda a população do RN e irrigar milhares de hectares de excelentes solos que o nosso pequeno estado dispõem, bastando para este fim a perfuração e captação de água em poços tubulares. É importante esclarecer que no embasamento cristalino que perfaz 60% do território potiguar, há também em seu domínio, apreciável volume de água subterrânea, principalmente em áreas afetadas por sistemas de falhas geológicas, onde a água fica acumulada em fraturas (fendas) cobertas ou semicobertas por sedimentos porosos. Grande parte dos rios e riachos do RN estão encaixados em sistema de fraturas e falhas geológicas. Todavia nestes sítios, a água armazenada, é geralmente salobra, com salinidade entre 0,5% a 30%, sendo muitas vezes, imprópria para irrigação e consumo humano a não ser que se utilize um dessalinizador. A utilização desse equipamento que custa cerca de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), devido aos gastos com energia, reposição e manutenção de peças, torna a água dessalinada relativamente cara. Há problemas relativos a produção de rejeitos das águas dessalizadas ao meio ambiente. Para saciar a sede do gado bovino, ovino e caprino entre outros animais, a água salobra até certo grau, satisfaz. Ao meu juízo a água de chuva, colhida e armazenada em cisterna é um meio muito melhor de se obter água potável do que a obtida através de dessalinazadores. Não obstante.é um desperdício dar água potável de cisterna ou tratada, dessalinizada a esses animais, acostumados em época passadas, a beberem e matarem a sede com água de açudes, barreiros e cacimbas. Neste termos é que a educação ambiental é de fundamental importância.
No trabalho de pesquisa intitulada Metodologia do Potencial de Recursos Hídricos Integrados, os pesquisadores do Projeto RADAMBRASIL Walter José Pereira e Antonio Giacominni na revista Ciência da Terra nº 3, Março/Abril 1982, páginas 28 e 29 da Sociedade Brasileira de Geologia chegaram aos seguintes resultados:
Mediante aplicação dessa metodologia, apresentamos a seguir as conclusões obtidas para as folhas Fortaleza e Jaguaribe/Natal (AS 24 e SB 24/25) do Projeto Carta do Brasil ao milionésimo, que abrange os estados do CE, RN, PB e partes dos Estados do PI e PE, compreendendo uma área de 350.000 Km², que corresponde a 32% e 22% respectivamente das áreas do Polígono das Secas de atuação da SUDENE. O inventário do Potencial Hídrico Superficial revela a existência de 60 bilhões m³ por ano, passíveis de serem armazenadas, mas, no entanto, somente 1/3 deste potencial vem sendo explorado, através de aproximadamente 1.000 açudes, distribuídos heterogeneamente, o que nos dá uma média insatisfatória de um açude a cada 350 km², entretanto há regiões anômalas em que a concentração atinge a um açude a cada 2 km². (Quixadá-CE). Com relação ao potencial subterrâneo, constatou-se que a área em questão apresenta uma reserva explorável de 68 bilhões de m³/a. ano havendo, entretanto concentração de cerca de 75% deste potencial nas províncias de rochas sedimentares, com o restante disponível nas tramas disruptivas das demais unidades geológicas. O cadastramento dos poços profundos efetuados na área em tela atinge a significativa quantidade de 10.000 poços, com a média de 1 (um) poço por 35 Km2 , destacando-se o DNOCS como responsável por 60% das perfurações. Entretanto constatou-se que houve negligência nos trabalhos de manutenção dos poços e equipamentos de captação, tanto pela inépcia do usuário, como pela inexistência de um efetivo gerenciamento dos recursos hídricos, pois aproximadamente 80% das instalações encontram-se atualmente desativadas e o restante em precárias condições de funcionamento.
De acordo com o exposto anteriormente, conclui-se que a problemática da seca no nordeste é o resultante da somatória dos seguintes fatores:
a) Má distribuição das chuvas temporal e espacialmente
b) Altos índices de aridez e evapotranspiração
c) Má distribuição de açudagem
d) Alta densidade demográfica
e) Predomínio de rochas cristalofilianas
f) Desmatamento desordenado com conseqüente assoreamento
g) Mau equacionamento das prioridades necessárias ao desenvolvimento do Nordeste, com finalidades mal definidas em virtude de uma ocupação desordenada de área.
h) Inexistência de um programa efetivo de manutenção e recuperação dos poços e equipamentos de captação.
A revista cientifica trimestral ABASTECE da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas – ABAS – Núcleo Ceará, n° 3, julho/agosto/setembro, 1999, página 12, publicou um artigo com o título “Estudo da CPRM indica que subsolo do sertão de Pernambuco tem muita água” que descrevo a seguir:
O sertão de Pernambuco tem 22 trilhões de litros de água acumulados em 7 bacias sedimentares, e a perfuração de poços poderá acabar com o problema da seca na região. Essa é a conclusão de estudo da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) indicando que as bacias sedimentares da região são constituídas por rochas porosas, que podem armazenar água no subsolo. Segundo o superintendente regional da CPRM, Marcelo Soares Bezerra, há necessidade de se investir na perfuração de poços nos locais que sejam tecnicamente viáveis, onde se encontra água de boa qualidade e quantidade suficiente para abastecer as comunidades.
No Ceará, mais precisamente na chapada do Araripe com área de cerca de 11.000 Km2 existe cerca de 140 bilhões de m3 de água armazenada no subsolo que pode ser explotada através de poços profundos de até 1.000 metros de profundidade com vazões na faixa de 200 a 400 mil litros/horários. No litoral também na Formação Barreiras por lá, há apreciável volume de água subterrânea.
Na Paraíba existe uma considerável reserva de água subterrânea na pequena bacia sedimentar do rio do Peixe e na fazenda Caldeirão, município de Santa Rita, onde existe uma grande fonte de água mineral que está sendo explorada pela empresa Indaiá do Grupo Edson Queiroz do Ceará para fabricação de refrigerantes. Na região Agreste/zona da mata daquele estado existe muita água no chamado Brejo, onde alguns moradores dessa úmida região informam que chove tanto naquele pedaço de chão que chega abusa.
No Piauí existe um extraordinário aqüífero confinado entre duas formações geológicas, cuja reserva hídrica subterrânea situada na Vale da Gurgeia, mas precisamente na região dos municípios de Cristino Castro e Bom Jesus. O volume d’água desse imenso aqüífero, talvez ultrapasse o volume d’água existente no aqüífero Açu na bacia Potiguar, aonde certos poços artesianos naquela região chegam a jorrar água na superfície. Agora no dia de 01 agosto de 2002 o senador Benicios Sampaio do estado Piauí em brilhante entrevista na TV Senado sobre o Vale do Parnaíba esclareceu a população brasileira que o aqüífero da região supracitada, Vale da Gurgeia, é um dos maiores aqüíferos não só do Brasil como também um dos maiores aqüíferos do mundo. É talvez maior que o aqüífero Guarani situado na região Sudeste considerado até então como um dos maiores do Brasil. Todavia sem considerar os aqüíferos da região amazônica, que devido a abundancia de água superficial não foram bem definidos e avaliados quanto ao seu volume.
No nordeste brasileiro existe apenas 3% de recursos hídricos superficiais. Repito recursos hídricos superficiais que são os corpos d’água que se encontram em rios, açudes e lagos.. Quando se considera os mananciais subterrâneos, esta cifra de 3% não corresponde a realidade. Ela não considera o extraordinário volume de recursos hídricos subterrâneos existente na região nordestina. No meu ponto de vista esta cifra é muito mais elevada, considerando que segundo várias revistas cientificas que enfocam recursos hídricos nos ensina que no nosso planeta terra existe segundos os pesquisadores (ver adiante):
Água doce líquida subterrânea.... 97%
Água doce líquida superficial...............3%
O nosso rico Brasil onde estão inseridas as maiores bacias sedimentares do mundo, nos interstícios de seus sedimentos existe extraordinário volume d’água potável. Seria interessante que Agencia Nacional de Águas – ANA – reavaliasse quantativamente os recursos hídricos superficiais e subterrâneos do Brasil.
No nosso próprio estado do RN existe a conscientização por parte de órgão competente estadual de que há excedente de recurso hídrico e abundante oferta d’água. Neste caso, não necessitamos no momento da importação d’água do rio São Francisco para combater os efeitos negativos das secas. Para comprovar tal afirmação posso citar que o governo do RN, através da Secretaria de Agricultura e Abastecimento – SAAB, publicou em Natal, Julho de 1997, PERFIL DA AGROPECUÁRIA norte-riograndense, tendo como o secretário na época, Laíre Rosado Filho. Aqui relato a informação vinculada na pagina 9 daquele informativo:
- OFERTA D’ÁGUA
– A oferta d’água anual, superficial e subterrânea do RN, está estimada 4,3 bilhões de metros cúbicos, para uma demanda total anual que gira em torno de 283,8 milhões de metros cúbicos, representando apenas 6,8% da oferta.
É importante salientar que nestes dados efetuados e difundido em 1997 não estão inseridos a oferta de recurso hídrico superficial da Barragem Santa Cruz (600 milhões de metros cúbicos) e Umari (pouco menos que 300 milhões) que foram concluídas agora em 2002 no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Com a conclusão dessas importantes obras de infra-estrutura hídrica aumentou consideravelmente a oferta d’água superficial na região potiguar. Três importantes rios Potiguares tais como Piranhas-Açu, Apodi-Mossoró e rio do Carmo com um bom gerenciamento estão perenizados. Outros menores na porção Leste próximo ao litoral também perenizados. Resta perenizar, que não é tarefa difícil outros situados na porção centro oriental do estado do RN. potável.
RECURSO HÍDRICO SUPERFICIAL
Segundo o engenheiro e pesquisador Newton de Oliveira Carvalho, chefe do serviço de Pesquisa do DNOS, que escreveu na revista cientifica Item – Irrigação e Tecnologia Moderna - número 17, página 26, Junho de 1984, sob o Título de Irrigação no Brasil que eu considero de fundamental importância para o conhecimento do cidadão brasileiro interessada nesse importante tema. Neste contexto passo a relatar parte do interessante assunto:
O Brasil possui o maior sistema fluvial do mundo. Suas terras são drenadas por tres imensas bacias hidrográficas. A bacia hidrográfica do Amazonas com seus grandes tributários, como o Tocantins-Araguaia, Xingu, Tapajós, Madeira, Madeira e Rio Negro, com escoamento médio anual de cerca de 5.000.000 milhões de metros cúbicos. A bacia hidrográfica do Paraná com escoamento médio anual de 283.650 milhões com seus tributários onde se destaca o rio Paraguai com média de 63.010 milhões de m3. A bacia hidrográfica do rio São Francisco, inteiramente dentro do Brasil com escoamento anual médio de 99.400 milhões de metros cúbicos.
Há também, um grande número de bacias hidrográficas menores completando uma imensa fonte de águas superficiais, Para o desenvolvimento da irrigação, hidrelétricas, abastecimento d’água etc.
Os recurso de água subterrânea não têm sido intensamente explorado, por não estarem os recursos hídricos superficiais completamente usados afirma o eminente engenheiro.
Considerando-se as condições naturais e os benefícios a população do RN, a Micro-Região da Grande-Natal, somado a região dos vales úmidos do Agreste Potiguar, na qual se concentra cerca da metade da população do RN, de 2.770.730 habitantes, (IBGE, 2000), devido ao índice de precipitação pluviométrico elevado em relação ao índice do sertão, que aliado à presença de grande manancial d’água subterrânea, corresponde uma zona auto suficiente e exportadora de recurso hídrico via adutora para outras partes do RN. Nesta região a transposição das águas do Rio São Francisco não traria praticamente nenhum benefício.
Na vasta faixa litorânea, 399 quilômetros de costa, que contorna o estado na porção Norte e Leste, onde se concentram vários municípios e localidades de população considerável, como Tibau, Areia Branca, Porto do Mangue, Macau, Pedra Grande, São Miguel do Gostoso, Touros, Rio do Fogo, Maxaranguape, Nísia Floresta. Senador Georgino Avelino, Canguaretama, Tibau do Sul, Baía Formosa entre outras localidades, a transposição praticamente também não traria nenhum benefício.
Na micro-região do Vale do Açu que congrega os municípios de Jucurutu, São Rafael, Itajá Açu, Ipanguaçu, Afonso Bezerra, Carnaubais, Alto do Rodrigues, Pendências, Porto do Mangue e Macau com população superior a 150.000 habitantes, há excedente de recurso hídrico e sub-utilização deste recurso, razão pela qual também no momento não há necessidade desta obra.
Na região de Apodí, Mossoró, Caraúbas, Dix-sept Rosado, Upanema e adjacência com a conclusão das duas importantes barragens de Santa Cruz e Umari em 2002, os benefícios de tal obra seriam bem menos expressivos. Nestas regiões a população é relativamente expressiva quando se leva em conta a população total do RN ultrapassando a casa dos 300.000 habitantes.
Neste contexto, levando-se em conta o custo X benefício à população alvo e levando-se em conta também às condições geomorfológica (relevo, vales encaixados entre serras) e hidrogeológica (presença de aqüíferos) no estado, por demais favorável ao aumento da capacidade de armazenamento e obtenção de recursos hídricos, a transposição das águas do rio São Francisco não é, no momento, a obra mais importante para se resolver os problemas inerentes a escassez d’água de algumas micro-regiões do RN em período crítico de estiagem. Há no próprio RN, meio mais econômico e racional para se combater os efeitos negativos e adversidade da seca, que já não castiga tanto a população como em épocas passadas.
A figura do sertanejo, tão explorada pela mídia nacional ou até mesmo internacional, tangendo seu jumento com sua cangaia e barricas vazias ou cheias d’água em caminhos estreitos e poeirentos, estão cada vez menos freqüentes e desaparecendo do cenário natural de algumas regiões do sertão potiguar. Qualquer caminhoneiro veterano e bom observador, que viajou e viaja pelo sertão nordestino pode confirmar tal observação.
A queima de vegetação xerófila tais como o xiquexique e a macambira com a finalidade de alimentar e escapar o gado em período crítico de seca, é uma atividade obsoleta que também está desaparecendo do cenário natural do sertão norte-riograndense. Hoje, mesmo em períodos críticos de secas, é observada com diminuta freqüência a queima desta ração alternativa quando comparado a épocas passadas. Vale lembrar ainda, que a problemática da escassez de água só ocorre em períodos críticos de seca já que em invernos normais e rigorosos há a presença de água em toda parte do nosso estado.
Diante deste quadro real, é preciso encarar a seca sob o prisma da realidade. Alguns políticos querendo tirar proveito do fenômeno natural inevitável, comum a população nordestina, faz sensacionalismo diante de um quadro de uma nova seca, dizendo que o povo estar morrendo de sede e que a transposição seria a solução. Ora, se transposição fosse a solução, no estado de Sergipe, com uma área segundo IBGE de 22.050,2 Km2 menor que a metade da área territorial do RN e banhado com vazões elevadas de água do rio São Francisco não deveria existir problema relacionado a presença de uma seca. Na realidade, tanto lá como no vizinho estado de Alagoas, com segundo IBGE com uma área de 27.993,1 Km2 que somado a área de Sergipe a área total desses dois estados 50.0043,3 Km2 ainda é menor que o Rio Grande do Norte com seus 53.306,8 Km2 são separados por um mundo de água doce superficial e corrente, existem problemas em decorrência da presença de nova seca. Segundo a ASCOM, Assessoria de Comunicação Social da Secretaria de Infra-estrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional em uma revista denominada Transposição de Água do São Francisco, 90 bilhões m3 de água em média por ano é despejado pelo rio rumo ao mar. Deste volume apenas 1,5 bilhão de m3 de água serão efetivamente transferida por ano para outras bacias pelo projeto. Acrescenta que essa reduzida parcela de águas do rio São Francisco só será transposta para o semi-árido na medida em que for necessário e respeitando os demais usos do rio.
Vale salientar que no canal de Fortaleza cerca de 50% da água direcionada para está capital não chega ao seu destino final devido a infiltração, intensa evapotranspiração e aridez do solo. Assim sendo apenas 750 milhões de m3 de água por ano chegaria ao destino final.
Um esclarecimento importante é que a ocorrência de uma seca não se restringe apenas aos territórios dos estados setentrionais do CE, RN e PB. Ela, atinge também a bacia hidrográfica que deve doar água. Ao meu juízo é muito pouco provável que outros estados nordestinos com estresse hídrico e energético, na iminência de um apagão, em uma seca libere água para mega-projetos multinacionais de produção de banana e grandes empresas nacionais de fruticultura irrigada e cotonicultura, muitas das quais nas mãos de ricos empresários do Sudeste do Brasil.
O RN com capacidade atual de armazenamento superficial de água de cerca de 4 bilhões de m3, menos que a capacidade de uma única barragem em construção no estado do Ceará, a polêmica barragem do Castanhão, 6.8 bilhões de m3, através de um sistema de adutoras implantado pelo governo estadual em parceria com o governo federal, está acabando, pelo menos em parte com a problemática da escassez de água tratada para uso domestico em muitas localidades e cidades do interior do RN. As águas que suprem as adutoras são provenientes em sua maior parte da barragem Armando Ribeiro Gonçalves no Vale do Açu e em menor volume da Lagoa do Bomfim e poços do aqüífero Barreiras citado no inicio deste trabalho. Todavia, ao meu juízo é um desperdício de recurso financeiro a construção de adutoras direcionadas para áreas situadas na região sedimentar, na qual iriam suprir áreas cujo subsolo é potencialmente rico em água. A perfuração e captação d’água em poços profundos, até mesmo os de profundidade de 800 metros seriam dez vezes mais econômico que a escolha de um sistema adutor para essa região.
O engenheiro do DNOCS em Açu-RN, João Guilherme de Souza Neto, em proveitosa discussão sobre hidrologia da região, me informou que o volume d’água cedido as adutoras pela Barragem do Açu é sobremaneira insignificante quando comparado ao volume d’água evaporado e que, tal fato, não compromete em nada a vazão de 2 m3/s cedido ao canal do Pataxó e 8 m3/s cedida ao leito do rio Açu. A diminuição do volume d’água da barragem do Açu, que nunca chegou a metade dos 2,4 bilhões de m3, é devido essencialmente a natural evaporação de seu espelho d’água. A vazão regularizada que a Barragem do Açu pode ceder com 100% de confiabilidade é da ordem de 12 m3/s. Portanto, não há perigo de colapso no abastecimento d’água para irrigação, nem tão pouco para as adutoras, segundo o engenheiro. Todavia observando in situ e com consciência crítica construtiva, acho que a liberação de 12 mil litros por segundo diariamente é um desperdício d’água e que com esta vazão bem que se poderia gerar energia elétrica a partir de 2 turbinas, como já a vários anos faz a barragem Coremas/Mãe D’água a montante do mesmo rio, lá no chamado Alto Piranhas no oeste do estado da Paraíba. A CERVAL - Cooperativa de Eletrificação e Desenvolvimento Rural do Vale do Vale do Açu com seus mais de 6.000 associados, bem que podia pleitear junto ao BNDES ou Banco Mundial o recurso financeiro para instalação de uma pequena hidroelétrica nestas válvulas dispersoras de água, cuja força hidráulica não estar sendo aproveitada. A CERVAL ou FECOERN – Federação das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Norte também poderia pleitar junto ao BNDES financiamento para a implantação de uma mini Termoelétrica voltadas aos interesses dos produtores rurais potiguares, uma vez grande porção de gás natural é explorado do subsolo desse povo pobre do rico Vale do Açu.
A população rural especialmente o homem do campo do sertão do RN é a que mais sente os efeitos negativos das secas que comumente se evidencia na região na qual já faz parte da sua vida. Esta população há quatro décadas era superior a população urbana. Atualmente, esse quadro se inverteu. Segundo o IBGE a população rural do RN corresponde apenas 26,71%. Observo que houve e ainda há, uma notável migração do homem do campo para cidades, povoados e vilas, como também para beira das estradas, de preferência as asfaltadas e bem servidas por meio de transporte e que possuam infra-estrutura de energia elétrica. Ouço alguns sertanejos dizerem que não gostam de viverem isolados, temem doenças repentinas e por isso estão migrando para essas regiões onde têm como umas entre outras fontes de lazer, as viagens semanais às feiras nas cidades mais próximas, os bate-papos, as novelas noturnas e os jogos de futebol na televisão. Para comprovar esta migração para beira de estradas, basta viajar dentre várias outras localidades, da cidade de Itajá para a cidade de Macau ou da cidade do Assu a cidade de Porto do Mangue, ambas no estado do RN. Neste contexto é fácil constatar que o sertanejo nato não é muito exigente no que se refere ao lazer. O sertanejo nato prefere comprar suas roupas simples em barracas no meio de feiras a entrar em uma boutique ou outra loja sofistificada. Muitas dessas concentrações as margens de estradas viram vilas e com o passar desses anos já se tornaram cidades, o que facilita a ação por parte do governo de atender as necessidades da população, quando do advento de uma nova seca que, ao meu ver não é mais novidade na região. Novidade é sim, devido a ação nefasta do desmatamento, queimadas e efeito estufa a ocorrência de uma boa invernada na região.
Sem muitas modificações dos meios defendidos por alguns técnicos de alto nível e pesquisadores do DNOCS bem como pesquisadores da família Guerra; Felipe Guerra, Paulo de Brito Guerra e Otto de Brito Guerra, em seus relevantes trabalhos desenvolvidos no Nordeste e aqui no estado do RN, sugiro como meio mais econômico e racional para se atenuar os efeitos negativos provocado pela irregularidade e escassez de chuvas em período de estiagem que sejam efetuados na área sedimentar a captação de água em aqüíferos através de poços tubulares. O Rio Grande do Norte ao contrário de que grande parte da população tem em mente, é rico em recursos hídricos e pobre em equipamentos de captação desse importante e precioso bem natural.
Na área sedimentar a Petrobrás, como empresa brasileira que mais conhece o potencial hídrico subterrâneo da bacia Potiguar, não ficando de fora diante dos problemas hídrico, sociais e econômicos da região que lhe fornece petróleo e gás natural, em um gesto grandioso e gratificante, está cedendo alguns de seus poços as comunidades rurais dos municípios Setentrionais do RN. Como exemplo posso citar os municípios de Açu, Mossoró, Upanema, Caraúbas, Dix-sept Rosado, Carnaubais e Serra do Mel. Todavia esta conceituada empresa bem que poderia comprar e doar ao município pólo do Assu uma perfuratriz moderna para que através de um programa consistente e sistemático de perfuração de poços dotar toda propriedade rural com infraestrura hídrica, que por sinal atualmente não constitui uma grande somo de futuros benenfiaciários.
No Vale do Açu, uma só importante e fácil obra de grande relevo bastaria para amenizar consideravelmente os efeitos negativos da estiagem, que é a perenização da lagoa do Piató, rio Parau e rio Panon, através da construção de um dique no leito do rio Açu, fazendo um angulo de 45 graus em relação ao fluxo d’água. Esta medida é para se tentar evitar a erosão nas margens, que associado ao canal já existente e com o seu alargamento e escavação mais profunda no sedimento, interligaria ao rio Açu perenizado. Este dique seria dotado de comportas para regularização de fluxo d’água e funcionaria também como passagem de pessoas máquinas e produtos agrícolas de uma margem a outra do rio Açu, tal como construiu a Petrobrás um pouco mais ao norte uma estrada asfaltada e uma passagem no rio Açu para facilitar a locomoção de funcionários, máquinas e a população em geral, interligando a localidade de Arenosa no município de Carnaubais a comunidade de São José, antigo buraco d’água, no município de Alto do Rodrigues. Este dique aumentaria o volume d’água direcionado a lagoa do Piató e esta sangraria para o leito do rio Panon, perenizando-o, tal como faz e ensina a mãe natureza em período de invernos rigorosos. Esta pequena e interessante obra iria beneficiar centenas de pequenos proprietários rurais desta rica região. O rio Paraú seria perenizado com pequeno túnel de cerca de três quilômetros em rochas cristalinas interligando a barragem Armando Ribeiro Gonçalves ao Açude Publico do Mendubim construído pelo DNOCS em 1973. Estas obras acima citadas são uns entre outros meios mais econômicos e eficazes para se atenuar os efeitos das secas em nossa região e o que é mais importante, iriam beneficiar um número bem maior de pessoas que necessitam de água para variados fins do que a importação d’água de outros estados nordestinos. Ao meu juízo a construção de outra barragem no leito do rio Açu, a chamada barragem de Oiticica como defendem alguns técnicos da Secretaria de Recursos do RN é desnecessária.
As lagoas do RN, como por exemplo, à lagoa do Apodí e Piató, com maior volume d’água, serviria de fonte alimentar de peixes, através da piscicultura e cultura de vazantes, além de locais apropriados para a recarga d’água dos aqüíferos adjacentes.
A lagoa do Piató no Vale do Açu, maior reservatório d’água natural do RN e um dos maiores do Nordeste, com capacidade de cerca de 96 milhões de metros cúbicos. Quando cheia apresenta cerca oito quilômetros de extensão, cerca de 1500 metros de largura e 8 metros de profundidade média, apesar de nunca ter secado totalmente, pois é alimentado por fontes de falhas geológicas, os chamado olhos d’água, se encontra no momento, 1999, com menos de 1/10 de sua capacidade está bastante assoreada. Esta grande lagoa natural, que há pouco tempo atrás, em épocas das enchentes funcionava como maternidade e importante berçário para a desova e crescimento de peixes, depois da construção da barragem do Açu, do desmatamento, uso indiscriminado de agrotóxicos e do conseqüente assoreamento, está com seu ecossistema bastante comprometido e necessitando de maiores cuidados.
É bom lembrar que a natureza é formada basicamente de dois ambientes distintos: Um ambiente físico e o outro biológico. O ambiente físico é formado por duas partes: uma primeira parte material que é o ambiente propriamente dito: rocha, solo, água e ar e, a segunda parte constituída pelo conjunto de fenômenos naturais tais como propagação do som, luz, calor, pressão atmosférica, umidade relativa do ar entre outros fenômenos que ocorrem na natureza. Já o ambiente biológico é constituído pelos seres vivos existente em nosso planeta. A interação entre esses dois componentes ambientais em qualquer parte da terra constitui um ecossistema. Assim sendo, cada rio, cada campo, cada lago, cada floresta é um exemplo de ecossistema. Por exemplo, no Vale do Açu temos os ecossistemas rio Açu, rio Panon, rio Paraú, lagoa do Piató, lagoa da Ponta Grande, lagoa Poré, entre outros.
Podemos também definir o ecossistema como sendo a unidade funcional do meio ambiente, que constitui um sistema onde, pela interação entre os diferentes organismos presentes e o ambiente, ocorre uma troca cíclica e recíproca de matéria e energia, incluindo até mesmo os poluentes.
Em qualquer ecossistema, a vida só se mantém na medida em que é preservados o equilíbrio natural entre o ambiente biológico, o ambiente físico e os fenômenos naturais.
Neste particular, o homem exerce papel de extrema importância, pois é ele o ser vivo que maiores modificações impõe ao meio ambiente, através das devastações das florestas nativas, poluição de rios, lagos, mares, construções de barragens, estradas, túneis entre outras edificações e atividades de agricultura, pecuária e mineração.
Vale lembrar também que o meio ambiente é tudo que está em nossa volta. ou seja, o solo, a rocha, a água, o ar, a rua, a luz, a temperatura, a pressão, a umidade do ar entre outros fenômenos naturais. Consiste em um determinado espaço onde ocorre a interação dos componentes bióticos (flora e fauna), abióticos (rocha, água e ar) e biótico-abiótico (solo). Em decorrência da ação humana, caracteriza-se também o componente cultural. Muita gente tem em mente que o meio ambiente está exclusivamente associado ao meio rural qual seja as florestas, os rios, as serras e os campos. Só que os centros urbanos, as cidades e as vilas são também exemplos de meio ambiente.
Em áreas situadas geologicamente no embasamento cristalino onde afloram entre outras rochas, gnaisses, migmatitos, granitos, micaxistos e intercalações de anfibolitos, quartzitos, mármores e, onde não raro, o solo é de pouca profundidade e o relevo é relativamente acidentado, o que devido a essas condições naturais, há a ocorrência de um rápido escoamento e uma quantidade muito pequena de água infiltrada e armazenada no solo, proveniente das chuvas, sugiro além construção de barragens de pequenos a médio porte, a construção de barragens subterrâneas em locais adequadas. Por exemplo, na porção centro oriental do estado, cuja reserva d’água superficiais é ainda insuficiente, sugiro a construção de pelo menos um açude de porte médio nas bacias hidrográficas dos rios Potengi, Trairi e Ceará-Mirim. Já as barragens subterrâneas nesta região de solos rasos, em alguns casos seriam interessantes na maneira racional de acumular água, pois a água fica retida no interstício do sedimento, com evaporação praticamente inexistente; o solo funcionaria como uma gigantesca esponja que com as evidências de chuvas no local, ficaria embebida d’água, cedendo quando necessário à população situadas em sua proximidade, através de escavações de cacimbas, perfurações de poços rasos e/ou cacimbãos.
O município de Campo Redondo-RN e adjacência, na qual efetuei pesquisa e mapeamento geológico além do cadastramento das ocorrências minerais em 1986 reúne as mais adequadas condições geomorfológicos para se implantar de forma racional e econômica um sistema de recarga dos principais cursos d’água do RN ainda não perenizados. Nesta parte do sertão norte-riograndense, na conhecida Serra do Doutor, próximo a Mina de Ouro São Francisco, naquela época, explorado economicamente pela CMP, Mineração Xapetuba Ltda, em um raio inferior a 12 Km, está situado às cabeceiras de três importantes rios do RN. O riacho Tanque Grande constitui as cabeceiras do rio Potengi que flui naquela região na direção Nordeste. O riacho Mãe D’água as cabeceiras do rio Trairi que flui na direção Este e o riacho Mulungu um afluente do Seridó que deságua no rio Piranhas ou Açu e flui na direção Oeste. (veja mapa das bacias hidrográficas do RN em anexo). Capacitando estes rios na sua parte média, de reservatórios d’água na qual funcionaria como um verdadeiro sistema regulador de fluxo, poderia se perenizar, mesmo que em um filete d’água todos os restantes dos cursos dos mesmos em uma extensão de área significante. Na parte superior desses rios já existem pequenos açudes, como por exemplo, o açude de Campo Redondo. O rio Piranhas ou Açu foi perenizado através da construção de barragens na sua parte media e superior.
A transposição das águas do rio São Francisco iria beneficiar muito menos de ¼ da população do RN e o que deve ser salientado, em áreas em sua maioria constituídas por solos de pouca profundidade, arenosos, por vezes pedregosos, ácidos (ricos em sílica) e de média a baixa fertilidade, assentada diretamente sobre o embasamento cristalino, onde não raro, aqui e acolá afloram matacões, cascalhos e até mesmo a rocha sã, imprópria para prática de agricultura intensiva e mecanizada, na qual via de regra, requer, solos profundos, planos e grandes volumes d’água para o seu pleno desenvolvimento. A vocação natural desta região é a pecuária e a mineração, vocações estas que não requerem grande volume d’água para o seu desenvolvimento. Há, entretanto em alguns setores a presença de micro-bacias de sedimentação, os chamados baixios ou várzeas, compostas por solos profundos e férteis onde se poderia aí, praticar a irrigação intensiva e se produzir alimentos em quantidade suficiente para a população ai estabelecida. Para estes sítios, seria mais econômico por parte do governo e mais interessante por parte dos proprietários rurais a construção de cisternas de placas com capacidade para armazenar 16.000 litros de água de chuva e em locais estrategicamente definidos, reservatórios de pequenos a médio porte e ainda em alguns locais a construção de barragens subterrâneas, principalmente em áreas onde os leitos dos rios e riachos estiverem preenchidos por sedimentos de natureza predominantemente arenosa e apresentarem elevado grau de permeabilidade. É importante destacar que nas cisternas de placas, barragens subterrâneas, e sistema adutor não há praticamente perda d’água inerente a intensa insolação e conseqüente elevada evaporação.
A construção de açudes de grande porte não é adequado para estas áreas, pois se trata de uma região com grande aptidão natural para a produção de minérios, na qual a água cobriria importantes jazidas minerais. Além do mais nestas grandes obras são gastas vultosas quantias em dinheiro em construção de uma nova cidade, remoção e alojamento da população e indenização de terras submersas como foi, por exemplo, o caso da barragem do Açu, construída pela construtora Andrade Gutierrez na região do Vale do Açu.
Embaixo das águas da barragem engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves ou barragem do Açu está sepultada a cidade de São Rafael e parte de sua história, além porções de vales férteis e importantes jazidas de mármores e scheelita do RN. Mármore esses de excelente qualidade comparado até aos mundialmente conhecidos mármores de Carrara na Espanha.
Dos mais de três bilhões de reais que a obra da transposição iria consumir, daria para se construir dezenas de açudes de pequeno a médio porte, dezenas de barragens subterrâneas, perfuração de mais de mil poços, além da construção de milhares de cisternas, expansão da rede elétrica rural, estação de piscicultura e a implantação de linhas de crédito para perfuração de poços e linhas de créditos para aquisição de Kits modernos de irrigação, onde as regiões apresentarem potencial hidroagrícola, como entre outros os vales de Ceará-mirim, Açu e Apodí.
Pretendo salientar que o primeiro passo para se combater e se atenuar de forma concreta e efetiva os efeitos danosos da seca em nosso estado, não é a importação d’água através do bombeamento d’água do rio São Francisco, mas sim se dá prioridade as coisas mais importantes e urgentes em um determinado momento a uma determinada população residente em uma determinada região. Não se deve “alquiminizar” as ações, ou seja, não se deve com única grande obra se tentar resolver todos os males existente em uma região muito complexa, cheia de contrastes e de diferentes aspectos geológicos, geomorfológicos, pedológicos, botânicos, sociais, ambientais e culturais. Particularmente acho que o governo deve dar prioridade as pequenas e importantes obras, na qual iriam beneficiar um número muito maior de cidadãos nordestinos. É preciso, de preferência através das Universidades Regionais, sejam estas Estaduais ou Federais, com a união de técnicos de preferência nascidos na terra e de variadas áreas cientificas (geógrafos, biólogos, agrônomos, zootecnistas, pedólogos, geólogos, geomorfólogos, hidrólogos, engenheiros florestais, veterinários, ambientalistas, sociólogos, economistas entre outras vocações), compartilhar conhecimentos, idéias e ações, via Internet ou em Simpósios, para se dar um diagnóstico mais preciso da realidade local e necessidade momentânea de cada micro região e de uma maneira mais simples, econômica e racional possível, promover o desenvolvimento econômico e social da região e se tentar deste modo, melhorar efetivamente a qualidade de vida da população desta ou daquela micro região.
É importante esclarecer que nem sempre o que é urgente, prioritário e importante para uma determinada micro região, é urgente, prioritário e importante para outra. Por exemplo, para regiões do Vale do Açu, Vale de Ceará-mirim e Vale do Apodi no Rio Grande do Norte, que possuem grande potencial hidroagrícola, o governo deveria além de dotar de eletrificação elétrica as proximidades dos mananciais d’água, facilitar aos agricultores destas regiões, a aquisição de Kits modernos de irrigação, de preferência àqueles de gotejamento, ou microaspersores que sejam os mais econômicos possíveis do ponto de vista de gastos futuros de água e energia. Esses bens serão o “ouro e a moeda” do terceiro milênio.
Já para uma região que não possui aptidão natural para agricultura intensiva e sim para pecuária leiteira, como é o caso das regiões Agreste e Seridó, o governo deveria estimular e criar meios ou mecanismo para que esta atividade se desenvolva de forma plena e intensiva. A melhoria genética do gado leiteiro que se adapte bem as condições climáticas do sertão semi-árido nordestino, seria, por exemplo, um meio bem mais interessante do que a aquisição de um kit de irrigação por parte dos proprietários rurais dessas regiões. No nordeste, mais do que em qualquer outra região do Brasil, devido a escassez de pastos e irregularidade de chuvas, a qualidade do rebanho bovino deve ser mais importante do que a quantidade desse rebanho. Segundo pesquisa da EMPARN – Empresa Agropecuária do RN, o gado pardo suíço seria um bom candidato para ocupar em maior quantidade o espaço desta região. Todavia, se por sua vez, uma comunidade rural ou um proprietário rural desta região com vocação para pecuária, estiver situado próximo a um grande manancial d’água, a aquisição de uma pipa para estas comunidades ou proprietário rural, seria um meio bem mais prático e eficaz para se combater a sede do gado do que a perfuração de um poço, já que estes poços evidentemente são fixos e pontuais e quando perfurados no embasamento cristalino em geral dão vazões baixas, geralmente inferiores a 3 metros cúbicos ou 3.000 litros por hora. A água, não raro, é de má qualidade, isto é, salobra, imprópria para a irrigação e para o consumo humano, mas que, todavia serve para o consumo animal. A pipa em muitos casos é muito mais útil e prática, uma vez que coloca a água onde o gado o espera, evitando com isso o desgaste físico do rebanho fraco e sedento em extensas caminhadas diárias.
O gado bovino do pequeno proprietário nordestino, o chamado gado pé duro é em geral de pequena estatura. Possui carcaça pouco desenvolvida que nem sempre atinge a 12 arrobas. Este baixo peso é devido, não só apenas a condição genética do animal, como também é devido ao efeito sanfona ou efeito engorda/emagrece estabelecido pela abundância e falta de pasto ao longo dos anos de sua vida no nordeste de clima adverso. Este gado miúdo quando adulto, com quatro anos de vida vegetativa, consome no máximo por cabeça duas latas d’água de 18 litros. As pipas mais comuns no mercado possuem capacidade de três mil litros, sendo muito pratica quando a finalidade é água para uso domestico e criação e manejo de gado sedento. Afirmo isto com experiência da própria família. Todavia, ainda ocorre, quando o assunto é água para uso domestico e comunitário, uma espécie de carro-pipa fobia no sertão semi-árido, devido a utilização deste equipamento por alguns políticos com força política junto aos governantes, como fabrica de fazer votos em período de eleições.
Se a região possuir aptidão natural para mineração, como é o caso no RN de algumas áreas do Seridó e região central de Lages, o governo deveria criar meios para que esta atividade econômica que gera emprego e renda e de certa maneira independe das condições climáticas se desenvolva de forma plena e intensiva.
O impacto ambiental e os extraordinários gastos com energia elétrica para conduzir a água via bombeamento para a Paraíba e posteriormente por gravidade para região oeste do RN, com elevadas perdas do volume bombeado pela infiltração e evaporação, ademais os gastos com a manutenção de todo o sistema são fatores negativos para implantação desse polêmico projeto. Para efeito de esclarecimento e sabendo que as condições geológica,. hidrogeológica e ambiental são totalmente diferentes do nordeste brasileiro, na Ásia Central o desvio das água dos rios Amur-Darya e Sir-Darya para irrigação, provocou um dos maiores desastres ecológico de que se tem noticias que foi a redução brutal das águas do Mar de Aral, que era alimentado por aqueles rios.
Um fator negativo para implantação da obra de transposição no território do RN e que não deve ser esquecido, é que a água irá fluir em cursos de rio perenizado como o Rio Açu e preste a ser perenizado como o Rio Apodi-Mossoró com a conclusão da barragem de Santa Cruz. Com isso, importar água para essa região que já possui um notável volume, é no momento gastar mal os recursos da união, na qual poderiam ser alocadas para outros segmentos no RN que poderiam gerar emprego e renda para a população, principalmente aquelas atividades econômicas que independesse das condições climáticas. Melhor seria a perenização dos outros importantes rios do RN, como o Rio Potengi, Trairi e Ceará-mirim através da construção de barragens na sua parte média que aliado a um sistema adutor vindo dos grandes mananciais de água do estado supriria a demanda depois que estas barragens estivessem cheias por invernos rigorosos e posteriormente escoada em seu leito pela abertura de suas comportas em invernos irregulares. O Rio Açu que era um rio de regime temporário tornou-se um rio perene após a construção das Barragens Curemas-Mãe D’água na região de Piancó na Paraíba, que liberam, depois de gerarem energia elétrica, cerca de 4 a 7 m3/s de água para o estado do Rio Grande do Norte. O rio Apodi-Mossoró e rio do Carmo estão prestes a serem perenizados, restando agora tão somente a perenização dos rios menores e importantes como os rios Potengí, Trairi e Ceará-mirim. Esses rios e os pequenos rios, Jacu e Curimataú situados na porção Este do estado já estão perenizados próximo ao litoral.
É interessante mencionar que a barragem do Açu com capacidade de armazenamento de água de 2.4 bilhões de metros cúbicos foi inaugurada em maio de 1983, pelo então presidente da republica João Baptista Figueiredo, após a prolongada seca de 1979/83 e já na enchente de 1985 sangrava com lâmina de água jamais vista depois de sua construção até o presente momento, com uma altura de 4,5 metros.. Os maiores açudes do estado, tais como Itans, Sabuji, Cruzeta, Marechal Dutra, Japi II, Lucrecia, Inharé, Trairi, Pau dos Ferros, Pataxó, Mendubim sangraram nesta excepcional enchente e porseguinte numerosos outros menores sangraram também.
É lamentável recordar que nesta referida enchente, como em outras passadas, antes da construção da barragem do Açu, milhões de metros cúbicos de água doce foram desperdiçados rumo ao mar. É muito provável que se existisse o dobro da capacidade de armazenamento d’água espalhada no RN, tal desperdício não teria ocorrido. Neste contexto, se pode afirmar com convicção que ainda é importante armazenar água onde elas se precipitam, seja através de barragens subterrâneas, cisternas e pequenos açudes estrategicamente localizados. Deve-se aproveitar o máximo os períodos de bonança de água em épocas de enchentes e utilizarmos de forma racional nos período de escassez ou seja, dar de beber de forma parcimoniosa ao homem, plantas, animais e ar, em vez de dar de beber de forma abrupta e dispendiosa ao mar.
A transposição das águas do rio São Francisco como alguns técnicos e políticos apregoam, por si só, nunca será a redenção social e econômica do povo nordestino, tal como não foi a construção da barragem do Açu a redenção para o povo do Vale do Açu e o açude de Orós a redenção para o Estado do Ceará. Ela não vai trazer água para nenhum terreiro de nenhum norteriograndense pobre não. Certa vez um velho pobre proprietário rural situado na região do Vale do Açu, situado a poucos quilômetros da Barragem do Açu e tendo o espelho d’água da mesma vista, em um ano de poucas chuvas, na chamada seca verde, no final da década de 80 fez seu triste clamor, mas infelizmente real: Oh meu Deus, que tristeza, tanta água dando de beber ao sol e o meu roçado morrendo a mingua. Assim também poderá ocorrer com a água da transposição e a intensa evaporação reinante na região. Não irá também encher lagoas e nem pequenos açudes secos, como dar a entender alguns jornais que tentam associar a presença de gretas de contração ou rachaduras dos solos argilosos das planícies de inundação e talvegues dos açudes e lagoas com a transposição, como se essa obra fosse acabar com tal fenômeno da natureza. Essa obra não irá encher pequenos açudes e lagoas do RN e servirá em primeiro lugar para que empresários usufruam em suas industrias e mega projetos de irrigação, tal como aconteceu com o canal do Pataxó no Vale do Açu, muito menos importante do ponto de vista social que o canal de Panon e que beneficiou principalmente os grandes irrigadores e empresas multinacionais na minha região deixando de lado as pessoas pobres situadas em muito maior número do outro lado do rio Açu, na sua margem esquerda. Se estas megaempresas no futuro exigirem mais água para irrigação, o que é pouco provável que perfurem poços profundos ou negociem com Petrobrás, tal como fez a Mossoró Agroindustrial S.A. - MAISA.
Ao que parece esta polêmica obra, está mais direcionada para beneficiar as empreiteiras do que propriamente para beneficiar o povo pobre do nordeste setentrional do Brasil.
Para o rico em água subterrânea estado potiguar, este projeto está mais direcionado para encher de mais água a Barragem do Armando Ribeiro Gonçalves no Vale do Açu e a barragem de Santa Cruz do Apodí na região oeste, que atualmente não utilizam nem 15% de seu potencial hídrico armazenado para irrigação, do que propriamente desenvolver, gerar emprego, aumentar a renda e qualidade de vida da nossa população. Não é difícil deduzir que a ocorrência de uma cheia, que é tão certo como uma seca, com essas barragens cheias, irá provocar evidentemente enchentes tal como aconteceu em épocas passadas, antes da construção destas barragens. Com o assoreamento já existente nesses rios, a água vai encontrar as calhas dos rios rasas, cheias de obstáculos, com bancos de areias, impedindo o livre escoamento do fluxo d’água. Com isso vão se desviar para margens, provocar erosão, transbordamento, inundações e erosão de solos férteis situados em suas margens.
Na minha concepção a transposição de águas do Rio São Francisco seria o último cartucho a ser utilizado na guerra e combate aos efeitos maléficos das secas nordestinas e, mesmo assim, esse cartucho poderia falhar e não vencer definitivamente a batalha contra os efeitos negativos dessa adversidade climática, que sempre deverá existir em nosso meio.
Acabar com os efeitos negativos da secas não é tarefa fácil. Requer em primeira instância uma grande modificação de hábitos e educação de uma expressiva parte da população. Ao meu ver não existe fórmula mágica antrópica para fazer milagres. Os governos do Ceará e a SUDENE já tentaram de tudo, até mesmo o bombardeio de nuvens com a nucleação das nuvens com cloreto de sódio propiciando a produção de chuvas artificiais não resolveu ou resolve o problema. No que tange, a agricultura só o poder de Deus é capaz de modificar o quadro e umedecer regularmente vastas áreas de terras de forma uniforme e eficiente, mandando no tempo certo, chuvas de graça para todos os sertanejos nordestinos. Pode transpor o volume d’água corrente do rio Amazonas e na resolveria o atrasado nordeste.
Assim sendo, seria interessante priorizar a infra-estrutura e frentes de trabalho capazes de gerarem emprego e renda e que independam das chuvas. O turismo, a fruticultura irrigada onde regiões apresentarem aptidão agrícola. Produção de produtos de artesanato, a produção de minérios. A interiorização das industrias sejam essas têxteis, moveleira, alimentos etc. Por exemplo, seria mais interessante a industrialização de granitos e mármores no interior e não no litoral onde não existem jazidas no RN. Não seria interessante também atrair fabricas como, por exemplo, fabricas de cerveja ou refrigerante para capitais onde já existem problemas d’água até mesmo para consumo humano, em detrimento a outras cidades do interior que possuam água abundante e de boa qualidade, na qual poderiam abrigar essas fábricas. Não seria interessante atrair megaprojetos de laser como, por exemplo, gigantescos parques aquáticos onde a população principalmente a de pouca renda carece de água em suas residências.
Ao meu juízo neste mundo globalizado, onde o tempo e o espaço perderam o seu antigo significado problemático e com grande parcela da população com consciência ecológica, hoje em dia as industrias e os projetos de irrigação é que devem se adaptar ao meio e não meio se reajustar aos megaprojetos industriais e de irrigação. Deve-se levar em consideração a real vocação natural da região antes de se estabelecer uma obra de grande relevo numa determinada região. Como exemplo, basta lembrar o fracasso do mal dimensionado Projeto Moxotó em Pernambuco. Na cabeça de um iluminado tecnocrata de gabinete, no papel e no computador cabe tudo. Só que na pratica a coisa é diferente e por isso muitos projetos são um verdadeiro fiasco. Neste contexto seria interessante a produção e industrialização de produtos fabricando-se já com valor agregado próximo à fonte no interior do estado. Piscicultura, Carnicicultura (produção de camarão em cativeiro). O clima do nordeste é de primeira linha para esta atividade em solos salinos que há pouco tempo eram considerados estéreis. Nestes locais semidesertos e com a presença de ventos fortes no período da tarde, sugiro a instalação de cata-ventos para produção de energia eólica e água para os tanques de camarões. Ovinocaprinocultura e fabricação de seus derivados. Por exemplo, se tentar se fazer no interior do RN o que a cidade de Franca faz no interior de São Paulo, exportando calçados para o exterior. Convém lembrar que muito trabalhadores na industria de calçados dessa cidade são oriundos da região nordestina, inclusive do Vale do Açu (RN). Em suma é interiorizar a economia produtiva deste país. O RN tem o calcário, argila e gipsita (gesso), matérias primas essenciais para a fabricação do cimento Portland e pode ser auto-suficiente ou até mesmo exportador desse produto intensamente usado na construção civil.
O engenheiro agrônomo Paulo de Brito Guerra, em seu livro “Civilização da Seca, o Nordeste é uma história mal contada, DNOCS, 1981, pagina 129, narra os seguintes trechos que eu considero interessante”:
Na inauguração do Açude Orós, um orador de voz trêmula, no auge da emoção, vaticinava: “a partir deste momento o nosso Ceará estará redimido”.
Errou por demais o grande orador que o eminente engenheiro agrônomo não quis identificar. Não é tão fácil assim a eliminação da miséria nordestina. Não existe formulas mágicas, nem tão pouca isolada. Que bom seria se para a redenção social e econômica do nordeste brasileiro existisse aquela garrafada que os nordestinos (alquimistas do sertão) fabricam para todo tipo de males.
Acontece, porém, que não há medida isolada capaz de “redimir” um Estado muito menos o Nordeste, ou de “salvar” sua agricultura, a não ser a normalização definitiva do regime pluviométrico, uma vitória tecnológica que ainda vai demorar.
A redenção do Nordeste é como se fosse uma guerra que exige o esforço de toda a nação, em todos os campos de atividades para alcançar a vitória. Nenhuma medida isolada vence uma guerra, salvo o uso da bomba atômica.
Há medidas eficientes, mas de âmbito limitado, como a açudagem e a própria irrigação decorrente.
Já se chamou a atenção de que o próprio rio perene não é milagroso, pois as populações das margens do rio São Francisco até poucas décadas estavam entre as mais pobres do Nordeste, o que também acontece nas margens do rio Parnaíba, também perene. E o Maranhão úmido continua menos desenvolvido que o Ceará seco. No próprio nordeste seco, há longos trechos de rios perenizados há vários anos, principalmente quando há geração de hidrelétrica como nas dos rios Piranhas/Açu e Acarau. Outros, porque as comportas são levemente abertas para que haja bebida para o gado em propriedades abaixo do açude, conservam água no talvegue durante o verão.
Vale lembrar que o açude Orós teve suas águas soltas, a 17 de julho de 1980, através de uma válvula difusora liberando uma vazão superior a 10 metros cúbicos por segundo.
Eis algumas opiniões emitidas há muitos anos por alguns pesquisadores e críticos sobre os problemas do nosso nordeste, citado no livro A Civilização da Seca de Paulo de Brito Guerra, com algumas opiniões anônimas:
Não há tal problema das secas, há apenas o caso da seca que pode ser resolvido com duas únicas medidas: construção de algibes nas fazendas e propagar hábitos de previdência à população. Ministro da Agricultura Assis Brasil.
O desenvolvimento econômico depende menos das riquezas naturais e da pujança territorial do que da qualidade do homem e de sua motivação. Eminente ministro Roberto Campos impressionado com o progresso israelense
Com a tecnologia moderna os investimentos em recursos humanos produzem resultados mais positivos do que os aplicados em recursos naturais. Raanan Weistz & Avshalon Rodach, cientista agrícola em seu trabalho; Desenvolvimento Agrícola Planejamento e Execução; um estudo do caso Israel. Rio de Janeiro, Apel editora, 1970, página 141.
Os nortistas sofrem seca porque são indolentes. Plantem eles nos campos capim para os gados, e em terrenos próprios bananeiras em larga escala, que além de ser ótima e sadia alimentação, refresca o terreno. Estará acabada a seca. Cidadão anômino de Minas Gerais.
Só a irrigação pode salvar o Nordeste. Grande número dos anônimos.
Até mesmo o despovoamento regional e a criação de camelo foi aconselhado e experimentado pelo governo tentando redimir o complexo nordeste (veja artigo importação de camelo para o Ceará em 1859, página 41 deste informativo).
Soluções mágicas não existem para acabar com o problema da pobreza e miséria do povo nordestino O nordeste possui uma considerável economia, uma expressiva população e um imenso potencial. A questão é o que fazer para explorar esse potencial. É preciso estabelecer prioridades, investir mais na preparação de pessoas, principalmente a juventude.
Concordando com Roberto Campos e Raanan Weitz, acho também que os problemas sócio-econômicos do nordeste semi-árido não se resolvem por si só com a presença de água e outras riquezas naturais. Se assim fosse, minha região deveria ser mais prospera e possuir um padrão de vida melhor em relação às outras do estado, o que na realidade isto não se verifica. Na metade da década de 80, nas diversas viagens de campo e pesquisa de geologia que efetuei no interior do estado, constatei que em muitas áreas rurais da região do Seridó, mesmo sem a presença de grande volume d’água, o padrão de vida das pessoas era melhor do que a população do Vale do Açu por demais ricas em recurso hídrico, solos planos e profundos e de extraordinária fertilidade.
No que concerne a plantação de bananeiras, opinião defendida e descrita na página anterior por um cidadão mineiro de alta posição social que o agrônomo Paulo de Brito Guerra preferiu e não quis identificar, é interessante e oportuno mencionar quando se trata de plantações de bananas e solos férteis, que no inicio dos anos 60, Dr. Bold, um Inglês gerente de uma multinacional inglesa, descareçedora de algodão em rama, que fazia vistoria nas unidades estabelecidas no continente americano e visitava a COOK COMERCIAL S. A, unidade do Açu-RN, prédio onde hoje funciona o SENAI, da qual meu pai, um sertanejo nato, ex-combatente do exercito brasileiro, Francisco Pimentel Filho era gerente. Já naquela época aquele cidadão Inglês afirmava em nossa residência que os solos de aluvião do Vale do Açu ,eram uns dos mais férteis do mundo, especial para o cultivo de banana e só comparado a manchas de solos do Panamá e outros pequenos países da América Central. Comentava ainda, que o Vale do Açu, levaria vantagem para produção de banana para exportação, uma vez que a região, apresentava intensa insolação, clima quente e seco o que inibiria a presença de pragas e doenças nas bananeiras. Hoje, após 4 décadas, a afirmação de Dr. Bold tem se revelado. Frutas tropicais “Made in Açu” tais como bananas, mangas e melões estão presentes em supermercados da Inglaterra e de diversos países da Europa e da América do Norte. A Del Mont Fresh Produce of Brazil Ltda. e a Directivos Agricolas S/A, gigantes mundiais na produção e comercialização de bananas estão explorando os nossos solos. Estas empresas conhecidas na região como firmas da banana estão comprando o filé mignon de solos de aluvião da região. Esperamos que os frutos do desenvolvimento dessas duas também seja repartidos com a população pobre e não exclusivamente direcionado a ricos acionistas internacionais.
Esta rica região de população pobre, além da produção de frutas tropicais produz cera de carnaúba, algodão, feijão, milho, tomate, petróleo, gás natural, calcário, argila, produtos cerâmicos, mármores e granitos de rara beleza.
Com efeito, dos fatos acima citados, pretendo esclarecer que não adianta querer iludir os sertanejos ou opinião pública nacional, advogando que a transposição das águas do rio São Francisco irá ser a redenção social e econômica do Nordeste que tal fato não irá acontecer. Podemos transpor a imensa vazão d’água do rio Amazonas e não resolve o problema nordestino. Ora, se uma região como o Vale do Açu, com grande potencial hidroagrícola, aptidão natural para fruticultura e agricultura irrigada, com grande parte da região dotada de toda uma infra-estrutura para o desenvolvimento desta atividade econômica, ou seja, dotada de energia elétrica, estradas asfaltadas, água abundante e de boa qualidade, solos planos, profundos e de expressiva fertilidade, comparados até mesmo com os “tchernozioms”, solos escuros da Ucrânia, que são considerados pelos pedólogos e edafólogos como sendo um dos melhores solos do planeta azul, a agricultura estar no momento desempregando e não está indo bem, quanto mais em outras regiões do estado do RN, sem a mínima vocação natural para agricultura intensiva e infra-estrutura para projetos de irrigação. Vão-se os jumentos e os que o tangem, assim diz um antigo ditado popular nordestino, referindo-se a um período de tempo longo, mas, todavia a redenção econômica e social do povo do nordeste brasileiro vai demorar a se concretizar, enquanto nos não conscientizarmos que esta deve começar pela educação, investimento, em ciência e tecnologia, mudanças de hábitos e idéias, principalmente dos jovens e crianças e melhor distribuição de renda, interiorização do turismo e agroindústria, além de outras atividades econômicas, tal como defendia os Inconfidentes, José Bonifácio, Getulio Vargas e Juscelino Kubitscheck na época em que construiu Brasília, cuja idéia já havia sido pensada no tempo de D. Pedro II.
Devemos priorizar os empreendimentos que gerem emprego e renda e que não dependam de invernos normais que são incertos. O sul da Espanha, mas precisamente na região conhecida como Almeria, chove menos que no nordeste brasileiro. Todavia o padrão de vida das pessoas que habitam aquela região é por demais muitíssimo superior ao interior do nordeste, devido à infra-estrutura e empreendimentos que gerem renda e que independe das condições climáticas adversas que também são evidenciadas naquela região do velho mundo.
Em minha opinião o que segura o homem no meio rural no interior dos municípios nordestino não são empreendimentos hidráulicos, mas sim empreendimentos que gerem trabalho e renda para a população e por seguinte proporcionem uma melhor qualidade de vida para os cidadãos. Posso provar esta afirmação, tomando como base o meu torrão natal, o famoso município do Assu (RN). Este município, que figurava no censo anterior a construção da grande barragem Armando Ribeiro Gonçalves 1979/1983 figurava como sendo a 4º município do interior do Rio Grande do Norte em população, só perdendo para Mossoró, Caicó e Currais Novos. Todavia, é importante esclarecer que mesmo depois da conclusão do grande empreendimento hidráulico efetuado pelo governo federal, hoje, de acordo com o censo 2000, caiu para o 8º lugar, sendo ultrapassado pelos municípios de Parnamirim, Ceará - mirim, São Gonçalo do Amarante e Macaíba, situados na microrregião da Grande Natal. Tal fato na minha simples opinião é devido principalmente a oferta de emprego e melhores salários, advindo da expansão do turismo, parques industriais e a expansão do comercio naquela micro-região situada próximo ao litoral.
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