Uma citação de Maurício de Nassau transcrita no texto de Barléu sugere indiretamente a
existência de dialetos tapuia:
Há por estas regiões um gentio feroz, bárbaro, de costumes inteiramente
rudes, da raça dos antropófagos. Chamam-lhe Tapuias, dos quais há perto
de 700 a duas léguas dos meus arraiais; acampam aqui alguns, enviados
pelos seus pra nos pedirem paz e aliança contra os portugueses. São de
corpo robusto, de boa compleição e de porte elevado. Falavam uma língua
que não podiam entender nem os portugueses, nem os brasileiros, nem
outros tapuias que estavam entre nós. Todavia, com visagens e ademaes
exprimimos mutuamente os nossos pensamentos, principalmente este:
que impedissem os portugueses moradores da outra banda do rio de o
atravessarem e trucidassem aqueles que o tentassem. (Barléu 1974: 45;
grifo meu)
Nassau deixa claro que eram tapuias porque estavam distantes do litoral,
falando uma língua diferente do Tupi (língua falada no litoral), mas, mesmo
sendo tapuias, não eram entendidos por outros tapuias. Tratava-se, portanto,
de um dialeto.
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