As glebas de terras que hoje compõem os municípios do Vale do Açu, no início da colonização do Brasil, eram habitadas por índios da tribo Janduís, nome derivado do grande chefe, rei Janduí, que de um modo natural e por tradição, também, se estendeu à tribo.
Os índios Janduís eram nômades e pertenciam à grande nação dos Tapuias, também, chamada de Cariri. O nome Cariri ou Kiriri, segundo o etnógrafo Luis da Câmara Cascudo, provinha de um apelido dado pelos indígenas da tribo Potiguar vizinha pertencente à grande nação Tupi e significava calado, silencioso e taciturno. Quando falavam, articulavam mal as palavras, sendo, por isso chamado de Gentios da Língua Travada ou genericamente de Bárbaros.
A palavra Tapuia segundo explica o jesuíta Simão de Vasconcelos1 no livro do pesquisador Abdias Moura2 não corresponde a uma designação dada a si própria pelos índios refugiados no sertão. Trata-se de uma expressão pejorativa, a eles atribuída pelos que viviam no litoral e falavam a língua tupi.
O engenheiro e historiador Varnhagen3 haveria de insistir na inexistência de uma nação tapuia. Escreve, todavia, que esta palavra quer dizer contrario e os indígenas a aplicavam até aos franceses, contrario dos nossos, chamando-lhes de tapuy-tinga, isto é tapuia branco.
O nome Janduí ou Nhandui quer dizer na língua tupi ema pequena. Corresponde a uma ave de pequeno porte, de pernas longas e corredeira, muito comum nos largos campos cheio de lagoas e olhos d’água do atual estado do Rio Grande do Norte.
Viviam principalmente na ribeira do Açu até o litoral e ribeira do Ceará – mirim, em plena harmonia com o meio ambiente, só retirando da natureza aquilo necessário para a sua sobrevivência. Alimentava-se da caça, da pesca e da coleta de frutos, raízes, ervas e mel silvestre. Cultivavam a lavoura de subsistência, onde plantavam principalmente o milho, o jerimum e a mandioca.
Joan Nieuhof, que esteve o Brasil entre os anos de 1640 e 1649, escreveu a obra Memorável Viagem Marítima e Terrestre ao Brasil publicada em 1682. Este escritor narra os costumes de quatro tribos Tapuias sob o domínio dos flamengos entre as quais se encontra os Cariris e Tararijou, Escreveu assim conforme pesquisa da CEDOCH-DL/USP elaborada pelo pesquisador Eran Stutz:
“Os tapuias habitam o interior, ao poente entre do Rio Grande, O Rio Ceará e São Francisco. Dividem-se eles em diversas nações que se distiguem tanto pela língua como pela denominação: Os tapuias no limite extremo de Pernambuco chamavam-se Cariris e eram governados pelo rei Ceriou Kei; seus vizinho seram os Caririvasu cujo chefe se chamava Carapoto; a seguir vinham os Carrijou e depois os Tatarijou, muitos conhecidos nossos. Seu rei era Jandui, não obstante alguns deles viverem sob autoridade de um Karacara. Outras tribos eram governada por vários reis a saber: Prityaba, Arigpaygh, Wanasewajug, Tsering e Dremenge”
.
No texto Niehof as nação dos Tapuias eram bem conhecidas dos holandeses. O perspicaz pesquisador flamengo delimita em ordem de seqüência Pernambuco, Paraíba para o atual Rio Grande do Norte. Ademais, delimita o habitat desses nativos observando a hidrografia de toda a região e o governantes dessas nações mesma. Os rios São Francisco, conhecido popularmente por Velho Chico: O rio Grande que corresponde naturalmente ao rio Açu descrito por Marcgrav.
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